Acessibilidade.

Hoje vou falar um pouco sobre acessibilidade, ou da falta dela, um dos grandes inimigos que eu e todos cadeirantes enfrentamos durante nossas aventuras.

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O que é acessibilidade.

Acessibilidade é o termo usado para dizer se um local tem acesso para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. Quando dizemos que um local possui acessibilidade queremos dizer que este local possui, portas largas, rampas de acesso, elevadores e banheiros adequados para serem usados por cadeirantes e outros tipos de deficientes.

Problemas para encontrar lugares adaptados.

Geralmente a maioria dos lugares públicos de grande porte são acessíveis, como os Shoppings por exemplo, porem existem muitos lugares que ou tem acesso limitado, como os que tem portas largas e rampas, mas não tem banheiros adequados, o que é muito comum, ou lugares que não tem acesso algum.

É muito fácil achar um shopping, ou um restaurante com acesso, mas existem lugares que é bem complicado achar acessibilidade, como consultórios de dentista, Hoteis e Moteis, acho que as pessoas tem uma ilusão, que os cadeirantes além de não ter dentes, não dormem e nem transam.

Um exemplo de rampa mal feita.
Um exemplo de rampa mal feita.

Chegada da lei da acessibilidade.

De umas décadas para cá, tem se visto uma preocupação maior com a acessibilidade, principalmente depois da chegada da lei de acessibilidade que exige que todos lugares públicos tenham acesso para deficientes.

Com a chegada desta lei, vários lugares fizeram reformas para se adequar a ela, porem muitos destes lugares não tem um acesso tão adequado assim, possuindo rampas muito íngremes, pequenas e ou mal feitas demais por exemplo.

As ruas das nossas cidades então nem se fala, as cidades do mundo deveriam seguir o exemplo de Barcelona, que desde as , Paraolimpíadas de 1992 é considerada uma das cidades mais acessíveis.

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A história da cadeira de rodas.

Hoje vamos conhecer mais sobre a história da grande companheira de todas as horas dos cadeirantes, a cadeira de rodas.

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O deus e o rei cadeirantes.

Segundo muitos dizem, a cadeira de rodas foi inventada no Egito, e era uma espécie de carrinho que servia para transportar as pessoas, porem existem algumas gravuras gregas, datadas do século IV AC que mostram Hefesto sentado em uma cadeira de rodas.

Hefesto era o deus da metalurgia, conhecido por ser o ferreiro dos outros deuses e por ser adorado pelos artesãos e metalúrgicos da Grécia antiga.

Muitos e muitos anos depois em 1595, o rei Fillipe II da Espanha usaria uma cadeira de rodas, cadeira esta bem avançada para época já que era reclinável e tinha apoio para os pés.

A evolução da cadeira de rodas.

Por muito tempo não existia a fabricação de cadeira de rodas, elas tinham que ser feitas por encomenda e eram algo parecido com uma poltrona sobre rodas, duas rodas grandes atrás, duas rodas pequenas na frente e pesava coisa de 25 KG.

Em 1655, Stephan Flarfler que era relojoeiro e paraplégico, criou um modelo de cadeira de rodas triciclo, que além de ser confortável podia ser movimentado pelo próprio cadeirante, algo um pouco mais parecido com as cadeiras de rodas de hoje em dia.

Em 1933 o americano Hebert A. Everest encomendou uma cadeira de rodas que desse para ser transportada em um carro, então o engenheiro, H.C. Jennings criou, um modelo de cadeira de rodas dobrável, muito parecido com as cadeiras de rodas atuais, este modelo foi patenteado e usado por anos com a marca Everest Jennings.

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As cadeiras de rodas modernas.

As cadeiras de hoje em dia são bem mais modernas e versáteis. Grande parte desta versatilidade que as cadeira de rodas hoje tem, se deve aos novos materiais e tecnologias que o século XX trouxe.

Hoje temos cadeiras de aço, alumínio e até de fibra de carbono, e dentre estas cadeiras existem modelos, dobráveis, desmontáveis, motorizadas, adaptadas para esportes dentre outras.

Existem vários modelos, que variam de preço de acordo com sua funcionalidade e qualidade do material do qual são feitas, as cadeiras de alumínio são bem mais baratas que as de fibra de carbono por exemplo. Com isso, o cadeirante pode escolher a cadeira que melhor se encaixa ao seu bolso e a suas necessidades.

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Os cadeirantes tem curtido mais a vida.

Os cadeirantes tem ganhado pouco a pouco, mais destaque, tanto na mídia, quanto na sociedade, isso tem feito com que, eles tenham, cada vez mais vontade de sair de casa pra se divertir, e é disso que falarei hoje.

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Cadeirantes e mais cadeirantes.

Ultimamente quando saio de casa, seja pra dar uma volta na rua, cinema, shoppings ou shows, tenho observado que, há bem mais cadeirantes neste lugares, do que, a alguns anos atrás, antes quando eu saia, era o único cadeirante no recinto e hoje em dia, chego até a esbarrar em um, ou dois por ai, isso é bom, pois mostra que nós estamos tentando mudar esta estigma, pra não dizer preconceito, que diz que, não podemos ou devemos viver nossas vidas por completo, que a sociedade, e por vezes até a família insiste em nós impor.

Cadeirantes também vão em shows e baladas.

 Uma vez eu estava em um show, encontrei um cadeirante acompanhado da namorada, e ela era super gata, ambos abriram um sorriso enorme quando me viram, certamente estavam felizes, por ver, que havia outro cadeirante se divertindo tanto quanto eles, além disso, uma vez um amigo me contou que, encontrou um cadeirante totalmente bêbado acompanhado dos amigos em uma balada, como se isso não fosse o suficiente, ele ainda estava no segundo andar, agora como ele chegou lá só Deus sabe.

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Por que os cadeirantes tem saído mais?

 Acho que isso começou a acontecer depois que os atletas cadeirantes, como o ex-BBB Fernando Fernandes começaram a ter êxito no esporte e a aparecerem na TV, isso fez com que os cadeirantes se sentissem mas confiantes, é aquelas, se ele obteve êxito no esporte, nós também podemos alcançar nosso objetivo, seja ele, sair mais, fazer aquela viagem, arrumar um emprego, pegar aquela gatinha do colégio que você sempre quis ou simplesmente ser feliz.

Por que alguns não conseguem?

 Infelizmente muitos cadeirantes não conseguem alcançar seus objetivos e vivem se perguntando o porquê, eu respondo, simplesmente por  não confiar em si mesmo, somente confiar em si mesmo não resolve tudo, mas já é um começo, é preciso também lutar pelos seus objetivos, sem se importar com a opinião alheia, nem com a dos familiares.

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Processo de aceitação da deficiência.

Hoje vou falar um pouco sobre, como funciona o processo de aceitação da deficiência, de como ele foi para mim, e de quebra darei, algumas dicas de como se aceitar, sendo cadeirante.

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Quando você se vê em uma cadeira de rodas.

Quando você se vê em uma cadeira de rodas não é nada fácil aceitar, além de não aceitarmos o fato de não podermos andar, deixamos até de nós aceitar como seres humanos, passamos a ser pessoas inseguras e começamos a nós esconder dentro de casa.

Com isso acabamos por ter amizade apenas com parentes, acabamos também passando a sair somente para médico, compromissos familiares ou escola, isso quando não desistimos de frequentar as aulas.

Na adolescência é ainda pior.

 Quando isso ocorre na adolescência é pior ainda, pois vemos todos saindo pra balada e namorando, enquanto você fica em casa no computador, TV ou Vídeo Game, mesmo quando você é cercado por pessoas ou meninas que tem real interesse em amizade ou até mesmo namorar com você, você acaba nem vendo isso pois como você mesmo não se aceita se quer imagina que os outros vão te aceitar.

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Quando começamos a superar?

 A partir do momento que você começa aceitar que tem sim uma doença e passa a lutar contra ela, você passa também a se aceitar, como pessoa, e é neste momento que tudo muda, você passa a sair mais de casa, a ser mais confiante e essa confiança acaba atraindo as pessoas incluindo as mulheres e com isso você acaba por fazer novos amigos e pôr consequência as tão sonhadas namoradinhas.

Cada um tem o seu tempo.

 Para alguns o processo de aceitação até que é rápido dura apenas alguns meses, para outros leva anos e outros infelizmente acabam nunca se aceitando, no meu caso levou anos.

Fui pra cadeira de rodas com 9 anos, comecei a me aceitar com 15, quando fiz vários amigos e passei a sair mais, inclusive cheguei a beijar uma garota da escola, porem só me aceitei completamente aos 22 quando comecei a sair ainda mais, indo até pra balada, passei inclusive a ter alguns namoricos chegando até a ter uma vida sexual mais ativa.

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Dicas para os cadeirantes.

 Por isso lhes digo se vocês são cadeirantes ou qualquer outro tipo de deficientes primeiro aceite a sua deficiência lute contra ela, com isso você se aceitará a partir disso os outros passaram a te aceitar também, lute pela sua liberdade, não deixe os outros lhe controlarem, se você gosta de alguém, não ligue pro que os outros dizem, tente dizer isso a ela, ou pelo menos demonstrar isso a ela, quem sabe não rola uma grande amizade, uns beijinhos ou até um namoro.

Dicas para os andantes.

 Enquanto a vocês andantes não se deixem levar pelas aparências e se aproximem daquele seu conhecido cadeirante, vai saber se não podem ser amigos ou quem sabe até almas gêmeas, enquanto aos parentes do deficiente, eu peço não sejam tão super protetores, deixem o deficiente sair, fazer amigos e namorar, isso fará muito bem pra ele tanto mentalmente quanto fisicamente.

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Entendendo a lei de cotas para deficiente.

Hoje vou explicar pra vocês, um pouco sobre a lei de cotas para deficientes, falarei, como ela funciona. Vamos lá? Boa leitura!

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Lei de cotas para deficientes.

Toda empresa com mais de 100 funcionários deve por lei contratar funcionários deficientes.

Caso a empresa tenha de 100 a 200 funcionários, 2% deles tem que ser deficientes, caso tenha de 201 a 500, deve ter 3%, se tiver de 501 a 1000 deve ter 4%, já se tiver mais de 1000, 5% deles devem ter alguma deficiência.

No Brasil existem 45 milhões de pessoas com necessidades especiais e um quarto delas está no mercado de trabalho, mas infelizmente somente 350 mil destas pessoas estão empregadas.

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Cadeirantes e as dificuldades de conquistar a liberdade.

Quando nós, os cadeirantes deixamos de ligar para, os preconceitos e restrições que a sociedade tenta nos impor, e decidimos viver, exatamente como as outras pessoas, enfrentamos uma série de dificuldades e é delas que vou falar hoje.

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Um cadeirante com vida própria incomoda muita gente.

Algumas pessoas parecem, não gostar que nós, os cadeirantes sejamos donos da própria vida, principalmente alguns dos familiares, por vezes ficam meio transtornadas, quando percebem que batemos o pé e deixamos de ligar pra opinião delas ao nosso respeito.

Com o tempo, passamos a resolver encarar o mundo, e viver nossas vidas, neste momento, isso de algumas pessoas não gostarem de que sejamos os donos dos nossos próprios caminhos, só piora, e piora ainda mais, quando somado ao fato de por vezes, dependermos de alguém para nós auxiliar nas tarefas do dia a dia como banho por exemplo.

Cuidadores possessivos.

Geralmente os cuidadores, sejam familiares, amigos próximos ou namorados(as), se vêem no direito de cuidar das nossas vidas, acham que devem saber tudo, sobre nossas vidas e estar conosco o tempo todo, por vezes se tornando extremamente, inconvenientes, intrometidos, possessivos e ciumentos, isso tudo, apenas por nós ajudarem nas tarefas do dia a dia.

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Por que isso acontece ?

Ao meu ver, isso acontece pois, a pessoa passa a achar que é insubstituível, e que nós sem ela, não conseguimos fazer nada, e não é bem assim, por vezes é exatamente o contrario, a pessoa que se torna psicologicamente dependente, de nos ter, por perto, não conseguindo fazer nada sem estar conosco, pois se acostumou tanto a dedicar a vida a cuidar de nós, que sem poder fazer isso, fica até meio perdida.

ignorando opiniões e tomando o controle da nossa vida.

Se nós os cadeirantes, fôssemos nos preocupar com a opinião alheia, certamente morreríamos todos virgens e jamais sairíamos de casa, eu gostaria que as pessoas entendessem que a partir do momento que ficamos de maior temos o direito de fazer o que nós quisermos, quando quisermos e com quem quisermos, desde que a outra pessoa também queira.

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